No meu leito presencial
aconchego-me à deriva
nada em mim é normal
estranhamente, temo que sobreviva
Perdido fico, apático
segrego as preces que vomito
amargos os pensamentos que repito.
Que cabeça de fuga de assento
é deveras um sentimento asmático
incentiva a loucura que tento
Na origem o nada
no presente o tudo
que reviravolta desejada
que pressentimento mudo
corrompeu a minha privacidade
desfigurou a suposta liberdade
Rastilhos de traição
prestes a queimar o interior
limpam o meu esplendor
sussurrando a imperfeição
há quem se prenda com o amor
outrem, nem com a razão
Não estou eloquente
tem lugar um vazio trágico
da sociedade foi um contágio
é uma lua em que estou demente.
Fábio C. P.
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